28 de fev de 2010

Uma vida entre livros

Hoje o país perdeu um ilustre brasileiro: morreu nesta manhã o bibliófilo José Mindlin aos 95 anos.

Um grande homem dedicado aos livros, à cultura e à memória de seu país. Seu último projeto, a construção do edifício da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (que integra a coleção Brasiliana-USP), ainda não está pronto mas quando estiver será o maior acervo de livros e documentos sobre o Brasil (17 mil títulos, 40 mil volumes!).

Eu me aproximei do Mindlin através da leitura do livro: "Uma vida entre livros" que há algum tempo ocupa minha cabeceira. No livro, ao contar sobre sua paixão maior também nos conta causos e histórias divertidas sobre a procura por um livro, as viagens com sua esposa, os estudos, a época de jovem, os postos que ocupou e muitas outras curiosidades!

Deixo aqui como sugestão de leitura.

MINDLIN, José. Uma vida entre livros. São Paulo: EDUSP-Cia. das Letras, 1997.

Leia também: "Mindlin, um mecenas que não fazia nada sem alegria" no portal do Estadão.

Conheça o projeto do edifício da Biblioteca Brasiliana, de Rodrigo Loeb (neto de Mindlin) e Eduardo de Almeida:

16 de fev de 2010

Conjunto Residencial Ana Rosa

Hoje fui dar umas voltas pela Aclimação, bairro cuja formação esta ligada à criação de um grande jardim para "aclimatação" de plantas exóticas e experiências com animais idealizado por Carlos Botelho em 1892.

É um bairro do qual eu gosto muito mas não costumo frequentar. Morei por lá quando criança e me lembro muito bem de alguns lugares. Uma das imagens que guardo desses tempos são os prédios baixinhos, com rampas e passarelas e muito arborizados da Rua Dr. José de Queiróz Aranha.

Nesta rua, de peculiar geografia, há pelo menos dois conjuntos de edifícios habitacionais que povoam positivamente minhas lembranças infantis (quando eu ainda nem imaginava ser arquiteta): os edifícios Guapira e Hicatu do arq. Eduardo Kneese de Mello e o Conjunto Gregório Serrão do arq. Salvador Cândia.

Ambos fazem parte de um conjunto residencial maior denominado "Conjunto Residencial Ana Rosa" descrito e muito bem ilustrado no livro organizado por Maria Ruth Sampaio, "A promoção Privada de Habitação Econômica e a Arquitetura Moderna 1930-1964" e também documentado no artigo "Arquitetura Mackenzie e o Jardim Ana Rosa em São Paulo" de Célio Pimenta e Eunice Abascal (professores FAU Mackenzie).

Na imagem (Google Maps, Fev /2010) as legendas indicam os edifícios que compõem o Conjunto Residencial Ana Rosa: 1) Edifício Guapira e Hicatu. 2) Conjunto Gregório Serrão. 3) Ed. Rodrigues Alves. 4) Ed. Umary. 5) Ed. Urahy. 6) Ed. Biacá. 7) Ed. Vergueiro.

Os edifícios Guapira e Hicatu ocupam uma faixa perpendicular de terreno junto à Rua Dr. José de Queiróz Aranha. São dois blocos de 6 andares com unidades duplex. Cada bloco tem 14 UH por pavimento, totalizando 42 aptos. por bloco. Na parte inferior da unidade localizam-se as áreas de convívio e serviços e na superior dormitórios e banheiro. Nestes apartamentos ainda se faz presente o "quarto de serviços", localizado no piso inferior. Repare na intensa arborização que integra os edifícios.

O conjunto Gregório Serrão localiza-se ao lado dos edifícios Guapira e Hicatu e sua implantação é lindeira à rua. Distante 4 m da calçada é conectado a ela por passarelas generosas que dão acesso aos 5 blocos independentes. Na imagem vêem-se os fundos do bloco na cota inferior junto à rua Alceu Wamosy (onde se localizam os dormitórios). Nesta rua implanta-se o 2o. bloco do conjunto.

Bem próximo destes belos edifícios situa-se o Parque da Aclimação, parque urbano de porte médio. Caracteriza-se como expressiva área de lazer do bairro, com escola de futebol (e estádio municipal), concha acústica, lago, trilhas arborizadas, play-grounds e áreas de descanso.

Bem próximo fica a Praça General Polidoro (quantas voltas de velocípede dei por ali!), que com seu traçado redondo induziu ao uso radial das ruas e avenidas do bairro, antes apenas com casas e prédios baixos, hoje infelizmente sendo povoadas por prédios cada vez mais altos e de gosto (muito) duvidoso!

Lembranças boas de um tempo onde a cidade era pensada e desenhada para o uso e convívio dos habitantes e não apenas como terreno fértil à exploração imobiliária......


14 de fev de 2010

Espaços de curta permanência

Sleepbox vista por fora. Fonte: AG, 2010.

Sleepbox vista por dentro. Fonte: AG, 2010.

Coletivo de sleepboxes. Fonte: AG, 2010.

Já faz algum tempo que queria postar uma nota falando do Sleepbox do grupo russo Arch-Group. Trata-se, como o próprio nome sugere, de uma caixa para dormir ou passar algum período de tempo de sua conveniência.

Sempre imaginei um objeto destes; sabe aqueles momentos em que você precisa passar algumas horas à toa num aeroporto, numa estação de trem ou rodoviária? Ou aquela sua viagem de férias em que você não reservou hotel, eles estão todos cheios e você não tem amigos para recorrer mas adoraria passar uma noite lá? Vou ainda mais longe, aquela preguicinha pós-almoço e você podendo descansar por mais uma horinha antes da próxima reunião??

Pois o arch-group desenhou um módulo especialmente projetado para estas situações e até outras mais complexas quando as sleepbox podem ser usadas coletivamente gerando pequenos "hostels" ou acampamentos especiais.

As "sleephouses" tem sistema de ventilação e vem equipadas com TV, tomadas para notebooks, carregador de celular, wireless, despertador e camas que trocam de lençol automáticamente a cada uso. Podem ser alugadas por um período mínimo de 15 minutos até várias horas.

O Arch-group é formado pelos arquitetos russos Alexey Goryainov e Mickail Grymov que se dedicam à arquitetura e ao design e cujo objetivo "é perseguir e alcançar a máxima funcionalidade aliada a melhor estética".

É isso ai! O futuro chegou! O que mais falta inventar?

Links relacionados:

Hotel capsular em Tokyo >> 9 hours

Projeto Bubble >> M.MAS.A arquitectos

7 de fev de 2010

Cabana na floresta + lago em Idaho

Fonte: OKA, 2010.

Fonte: OKA, 2010.

Fonte: OKA, 2010.

Fonte: OKA, 2010.

Fonte: OKA, 2010.

Dando continuidade à série "espaços para o lazer" apresento-lhes um projeto do escritório americano Olson Kundig Architects: a Cabana "Chicken Point" em Idaho de 2002.

Concebida como uma pequena caixa com uma grande janela que se abre para a paisagem, a cabana acomoda 10 pessoas e utiliza materiais de baixa manutenção como blocos de concreto, aço, pisos de cimento e compensado de madeira.

O aspecto inacabado - proposital - visa que a pátina, própria da exposição ao meio ambiente, faça a cabana misturar-se à natureza tornando-se parte da paisagem.

A grande porta, que é de fato uma grande esquadria basculante, tem um mecanismo de funcionamento muito engenhoso e capaz de integrar totalmente os espaços internos à paisagem e ao espaço exterior. As áreas íntimas são flexíveis podendo ser isoladas do espaço de convívio.

O escritório de Kundig (criado na déc. de 60) tem por hábito e filosofia "uma abordagem em relação ao design sustentável enraizada na natureza essencial do lugar": orientação dos edifícios à topografia, ao sol, escolha adequada dos sistemas construtivos e minimização de resíduos. Atualmente 65% do staff possui certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design®) e o escritório é membro do Seattle Climate Action Plan.

Vale a pena dar uma olhada também nos processos de criação da equipe: promovem encontros semanais para analisar e criticar projetos, estudar determinados temas, convidam pessoas para mostrarem trabalhos, fazem parcerias com artístas e artesãos locais e envolvem a comunidade em seus projetos e intervenções.


Links e assuntos relacionados:



Green Council Brasil - certificação LEED

No Brasil as obras públicas serão sustentáveis! a arquiteta Karla Cunha postou nestes dias uma nota explicando, vale a pena passar por lá!