3 de mai de 2009

Ensino de Arquitetura


Relação de arquitetos para cada 1000 habitantes, 2004.

Ao ler no Plataforma uma matéria sobre a educação superior em Arquitetura no Chile, algumas comparações chamaram-me a atenção : os EUA tem em média 1 escola de Arquitetura para cada 2.400.000 habitantes, o Chile tem 1 para cada 363.000 habitantes!

Nos EUA há aproximadamente 125 escolas de arquitetura e uma população de 300 milhões de pessoas. No Chile há 44 escolas e uma população de 16 milhões de habitantes!

Desconheço os números brasileiros em profundidade mas posso afirmar que a preocupação com o crescimento do número de profissionais também é realidade no Brasil. Numa rápida busca na rede encontrei listas com mais de 100 escolas de arquitetura no Brasil mas suspeito que haja muitas mais e dentre algumas há escolas que oferecem o curso em mais de um campi, às vezes na mesma cidade! No site do IAB fala-se em 140 escolas de arquitetura no país.

Se refizermos a conta com os números brasileiros teremos um valor proporcionalmente semelhante ao dos EUA e certamente um abismo separando a formação na área nestes dois paises!


É sabido que na Espanha os arquitetos enfrentam uma prova importante aplicada pelo Colégio de Arquitectos para poder exercer a profissão, na França alguns cursos superiores (e o curso de arquitetura é um desses) não podem ser ensinados por qualquer escola, na Alemanha a formação em arquitetura é tão valorizada como a de medicina por exemplo. Sem contar que nesses países há provas de aptidão exigentes para o ingresso aos cursos!

Aproveito a oportunidade para lembrarmos a situação no Brasil: muitas escolas, exigências mínimas para o acesso, muitos profissionais no mercado e formação discutível.....

Leia a matéria e reflita com o autor sobre as três importantes questões acerca do futuro da profissão que ele nos coloca:

1) A competição trará uma arquitetura melhor?

2) O que acontecerá com aqueles que não conseguirem trabalho na área?

3) Quem se beneficia com esta desregulação da educação de arquitetura?

Veja o problema em números AQUI!


2 comentários:

Pai dos trigemeos disse...

Claudia,
voce levanta uma otima questao, que merece ser discutida em profundidade. A qualidade do ensino de aqrquitetura caiu proporcionalmente ao aparecimento de escolas pais a fora. Obra do giverno FHC e Seu ministro Paulo Renato. Enquanto nao houver regulacao, o quadro nao vai melhorar. Quantos alunos se formam porque escolas particulares nao reprovam?
E lembre que nao Espanha sao 7 anos de estudo, no Uruguai e Argentina 6, nos EUA, alem da graduacao ha que fazer um master profissional e uma prova de certificacao que da direito a exercer a profissao.
O assunto eh serio.
Abracos,
Octavio

Cláudia Oliveira disse...

Pois é Otávio, também acredito ser este um tema importante para o debate e que deveria ocorrer entre todos os envolvidos no processo (escolas, estudantes, IAB, pesquisadores do ensino e da área, mercado imobiliário, docentes, construtoras, fornecedores, vendedores especializados e outros). Ir além das causas, mas procurar uma equação mais favorável à valorização de nossa profissão. Infelizmente vivemos uma situação onde o ensino de arquitetura virou "negócio"! E bem rentável: muitos interessados, nenhum pré-requisito, mensalidades caras, carga horária mínima e pouquíssmos recursos empregados com infra-estrutura! Lamentável!