3 de abr de 2009

Ed. Paulicéia | 50 anos


Fonte: makau, Fev. 2009.

Na semana passada comemorou-se o aniversário de 50 anos do Edifício Paulicéia, projeto dos arquitetos Jacques Pilon e Gian Carlo Gasperini, iniciado em 1956 e concluído em 1959.

Situado em plena Av. Paulista o edifício é parte de um conjunto composto por dois edifícios e ocupa um grande lote com frente para duas ruas (Av. Paulista e Rua São Carlos do Pinhal). A implantação ocupou apenas uma pequena parcela do terreno deixando grande parte livre para áreas de uso coletivo.


Exibir mapa ampliado VEJA NO MAPA A LOCALIZAÇÃO

A solução para as unidades também é bastante dinâmica e propõe a criação de três tipologias: apartamentos de 1, 2 e 3 dormitórios. Fato que merece destaque são as metragens destinadas a tais programas: variam de 70 m2 (a menor unidade com 1 dormitório) a 193 m2 a maior (com 3 dormitórios), um luxo nos dias atuais!


Fonte: Revista Acropole, 246 de 1959.

A organização das tipologias no edifício é bastante racional dividindo-se o volume em três "blocos" justapostos (com duas unidades cada e um núcleo de circulação vertical), sendo o "bloco" central o que abriga as menores unidades. Os núcleos hidráulicos e de circulação situam-se numa faixa central e posterior liberando toda a frente do volume para a instalação de grandes esquadrias nas salas e dormitórios.

Um dado curioso é a quantidade de elevadores: para cada "bloco" de duas unidades há entre dois e três elevadores.
Como o edifício tem 23 andares é possível que tal número expresse uma real necessidade.

Morar no Paulicéia deve ser muito bom já que, além da vista e da localização privilegiadas os apartamentos são amplos, com grandes janelas e boa oferta de elevadores!

É..... já não se fazem edifícios como este......uma pena!


Confira a reportagem do Estado de SP sobre os eventos e comemorações dos 50 anos do edifício.

Dica de bibliografia:

AMARAL DE SAMPAIO, Maria Ruth, org. A promoção privada de habitação econômica e a arquitetura moderna, 1930-1960. São Carlos: RiMa Editora, 2002.

Endereço:
Av. Paulista, 960 - ao lado do prédio da Gazeta | Objetivo
Metrô Trianon-Masp ou Brigadeiro


Um comentário:

Cláudia Oliveira disse...

Publico a carta que recebi de uma moradora do edifício na ocasião desta postagem:

Cara Cláudia,

Não sou da geração de bloggers e twitters, porém, pesquisando na internet, por acaso tive acesso ao seu blog. É um blog diferenciado, pois expõe conteúdos.

Sem querer me intrometer (termo utilizado pelos meus filhos quando se referem a mim) e apenas contribuir nas informações referentes aos edifícios Paulicéia e São Carlos do Pinhal, gostaria de lhe informar que são 4 (quatro) tipologias de aptos. A partir do sexto andar há apartamentos que são equivalentes ao de 3 dormitórios somados com o de 1 dormitório (estes com sala duplicada, continuam com 3 dormitórios. Na área de serviço há + dois de empregada e a cozinha também é bem maior), totalizando a maior área a que você se refere. Na biblioteca da FAUUSP, no arquivo do arquiteto Jaques Pilon, é possível conferir nas plantas originais. Também há o processo de tombamento no CONDEPHAAT, no entanto, não sei se já está disponível para pesquisa.

O conjunto de edifícios não se enquadra na denominação "habitação econômica coletiva". Com concepção Arquitetônica de qualidade que integra o espaço construído com a paisagem urbana, na época procurava atender os novos hábitos culturais da “metrópole”.

A bibliografia de referência é “Arquitetura Moderna Paulistana” – Alberto Xavier, Carlos Lemos e Eduardo Corona. São Paulo: Editora Pini, 1983. Segundo os autores, o menor apartamento destituído de quarto de empregada (porém, com lavabo) era uma solução inesperada numa programação feita para a alta classe média, no local que, na época, era o mais nobre da cidade. Quanto à matéria do Estadão, as informações estão distorcidas e sem fundamentos, o que denegriu a imagem do condomínio. Resido neste desde 1983 e os edifícios nunca estiveram cotados para implosão, como também não houve reforma de R$1 milhão de reais. A moradora mais antiga chama-se Clementina Vagliengo e é uma pessoa muito interessante de se conversar. Mackenzista, foi da turma do Prof. Carlos Lemos no colégio e amiga dos artistas Wesley Duque Lee e Aldemir Martins. Conheceu o Pietro Maria Bardi, quando este utilizava um dos apartamentos para guardar obras de arte.

Atenciosamente,

Alvamar C. O. De Benedetto