2 de fev de 2009

Tombamento de Brasília é uma besteira, diz Niemeyer

O arquiteto Oscar Niemeyer afirmou durante entrevista que tombar uma cidade é ignorância, pois "sempre aparecem modificações" nas áreas urbanas. Niemeyer disse ainda, durante entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que é uma besteira pensar em tombar Brasília.

O arquiteto, que falou sobre a polêmica em torno da criação de uma praça no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, disse que "se Juscelino (Kubitschek) estivesse vivo, ele ia ficar do meu lado". Segundo Niemeyer, o ex-presidente responsável pela construção da cidade não permitiria que as cidades satélites se transformassem no que chamou de "grandes favelas".

"Os que moram em Brasília moram confortavelmente, em apartamentos bons, com bons serviços. Mas os que moram nas cidades-satélites estão completamente abandonados. É horrível, uma grande favela. É um contraste que nós, arquitetos que nos interessamos por problemas políticos, não podemos aceitar", disse ao defender intervenções na capital do País.

Segundo arquiteto, o projeto criado por ele na verdade pretende acabar com essa divisão entre Brasília e as cidades-satélites através de intervenções e construções de prédios modernos. Niemeyer afirmou, inclusive, que a construção da praça se torna secundária frente a esse problema. "O que nós queremos é tirar de Brasília a ideia de que é uma cidade dividida entre pobres e ricos", disse.

"Uma cidade não pode ser tombada, porque sempre aparecem modificações. Se Paris fosse tombada, não existiria a Champs-Élysées nem o Arco do Triunfo. Se Barcelona fosse tombada, a cidade não teria se voltado naturalmente para o mar. Se Nova York fosse tombada, não existiriam os arranha-céus que ocuparam a cidade horizontal que antes existia. Uma cidade tombada é ignorância. As modificações são inevitáveis, e Brasília ainda vai passar por muitas delas", observou.

Quanto à construção da Praça da Soberania, o arquiteto afirmou que a obra é "indispensável. Toda a cidade tem uma praça mais importante, monumental". "Falta a Brasília uma praça importante, como em todas as cidades do mundo existe. Você vai a qualquer capital do mundo e vê isso, mas em Brasília não", disse. "Brasília está um pouco modesta diante desse país que cresce com tanto entusiasmo", complementou.

Quanto à possibilidade do projeto sair do papel, Niemeyer disse que o projeto "está bem estudado, com tudo resolvido. Agora não é comigo. Minha obrigação é defendê-lo. Se sair, melhor para mim. Se não, dá no mesmo".

Fonte: Terra Notícias, 02/02/2009

Lá vem o mestre com mais um projeto audacioso e polêmico e suas idéias controversas.....o Fernando Lara (Parede de meia) postou há alguns dias algo sobre esta praça, e a Sylvia Fischer escreveu o ótimo Oscar Niemeyer e Brasília: criador versus criatura, confira e crie sua própria opinião!


3 comentários:

Jessy disse...

Bom, como li em entrevista na revista Epoca: "O hábito de tratá-lo (Arq. Oscar) como se fosse outro monumento da cidade foi momentaneamente abandonado e Niemeyer enfrentou, pela primeira vez, manifestações contrárias."

Outro ponto muito importante, é que tornou-se uma discussão não de profissionais, mas da própria população de Brasilia. As pesquisas realizadas mostram que 76% dos brasilienses são contra o projeto, inibindo até mesmo o governo a realizar a obra.

mateussz disse...

Acho que o velhinho jamais imaginaria tamanha reprovação ao seu projeto! Sorte nossa (como profissionais e brasileiros) que ele desistiu desse devaneio.

Cláudia Oliveira disse...

O Oscar devia nestes anos finais de sua vida dedicar-se a escrever, ler, contemplar a linda paisagem do rio de janeiro do alto de seu belo apto. e abster-se de projetar! Já deixou sua marca no mundo!Tá bom, né?